24 de out. de 2008

pontos e espaços entre os dentes

É sempre assim.
Assim.
Espero que algo venha.
E então...
acaba vindo.

outra noite, trepando com o desespero,
me deparei com isto:
tantas memórias me habitam...
tantas ainda vão habitar...
e eu?
quase não me reconheço em meus atos.

um pouco tarde pra crise existencialista-de- consciência,
mas ela vem, inevitavelmente.

penso naquelas palavras todas,
toda a poesia, que presa, se espremeu em meus
ouvidos.

achei que um dia a esperança pousaria em meus olhos,
e ela se quedou por um tempo na minha saia, foi mesmo...
quase pude beijá-la.

penso num novo amor.
quero uma outra coisa.
algo distinto de tudo até agora.

sou mais uma com essa inequívoca vontade.
sem se dar conta, caminhamos todos em coro,
o mesmo coro.

as coisas mudam muito rápido.
e na cronologia tenho apenas uma semana pra decidir...
o que será de uma vida inteira?

era de manhã cedo, quando percebi...
outra noite sonhei com um rapaz...
um novo rapaz.

Um novo.

No fim das contas,
se é que as contas tem mesmo um fim,
pontos e espaços entre os dentes- dizem a verdade.
aquela velha verdade
do mundo
de todo
mundo
do mundo
todo.

E eu, daqui do chuveiro de rosas,
vejo a barata tentando sobreviver,
não se afogar no meu banho - um mar de confusão.


as flores se abriram.





quase não tinha ninguém pra ver.

3 comentários:

cisco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
cisco disse...

há um certo tempo não leio seus poemas ou digo alguma coisa. (Sou um amigo relapso, confesso). Aqui encontro tudo que não é dito, ou é dito nas entrelinhas ou nos espaços e nos pontos entre os dentes. Aqui encontro Paula-a-paula, mesma e outra. Acontece que às vezes desabrocha, é primavera, e eu, outono, não vejo.

Muitos beijos.

Jô Rodrigues disse...

Que lindo!