O relógio marcava 3:28.
Era madrugada quente, havia acordado sem saber o por que, num ato de natural curiosidade, espiou, com o canto do olho, o aparelho que se acomodava peremptório por sobre a mesa de cabeceira. O visor vermelho denotava que a noite já corria ligeira para uma nova manhã. Aquela hora da madrugada, sem conseguir dormir mais, rolava na cama, tentando, ainda, não despertar o corpo que descansava profundamente ao seu lado, numa dualidade bonita de se ver.
Aquele instante foi o suficiente pra imaginar um calhamaço de coisas - desde as mais nobres às mais sórdidas. Por que teria acordado? - em primeiro lugar, era o principal questionamento. E, por que, justamente àquela hora? Haveria de saber da hora por algum motivo sério. Algo, possivelmente, nos arredores da sua vida, estava acontecendo naquele preciso momento que lhe tocou a ponto de fazer-lhe notar: Não, não era em vão.
Por mais que, por outro lado, achasse tudo- esses pensamentos irriquietos- uma grande besteira.
- ah, vai, não é nada, só perdeu o sono, simplesmente.
Alguma coisa lhe dizia ao pé do ouvido que se tratava de um marco. Um ponto de distinção.
Chegou à conclusão de que realmente havia de prestar bastante atenção àquele inesperado instante. Quando se deu conta, já era manhã cedo. A madrugada havia feito a travessia sem se preocupar com inquietações de mentes insones.
Era manhã e ela ainda pensava no que é que poderia ter-lhe feito acordar tão abruptamente, sem aparente motivo e notar, justamente, a hora.
O que quer que fosse, apenas seria mais uma mudança.
Continuava a passar pela vida com certa conturbada perpecpção desatenta do entorno,
o que fazia dela um ser diferente no que diz respeito à apreciação.
Foi ao banheiro, deixou lá no vaso xixi e cocô e um punhado de pensamentos bestas que necessitavam ser excretados.
Pensou que podia ter ido ontem ao encontro, não devia se ater a um mínimo sinal de presença enfadonha. Não era assim tão importante aquele rapaz que lhe trazia algo semelhante à agonia nos poros. Que demência!
Será que foi por isso que perdeu o sono?
Rolava na cama, mas agora, já era dia.
4 comentários:
Zilázinha! ^^ a citação é do Caio Fernando Abreu... =) um dos preferidos.
"Pensou que podia ter ido ontem ao encontro, não devia se ater a um mínimo sinal de presença enfadonha. Não era assim tão importante aquele rapaz que lhe trazia algo semelhante à agonia nos poros. Que demência!"
nem é demencia... isso tem outro nome. junte-se ao time...
Hum, velha amiga insônia...
...pra mim fazia tempo,
de tanta preocupação me visitou.
No entanto faz tempo que não tenho uma noite de descanso profundo e viagens conscientes pela dimensão dos sonhos...sabe?
Fazia tempo não passava por aqui...
sempre saiu daqui com a energia renovada
Postar um comentário