9 de fev. de 2009

O beijo

Procuro, nas gavetas, grampos: algo que sustente esta inexorabilidade.

Procuro, em teus olhos, cor.
Ah, o mar...
Vens e me derruba, espanca, lambe, acolhe e
puxa - pro fundo - de si:
no vão deleite de uma expectativa carnal,
desejo bobo de um capricho de jogo.
Esses seus olhos vida e cheios de verde,
ainda hão de me sequestrar por mais um instante.
Esperei por ti no trem, no avião, no ônibus quase cheio, no ponto, na esquina...
Você estava lá: teus óculos remendados, teus cabelos raspados, tua voz suave.
Adotei uma gata filhote, e ela não pára de caganeira, já remédio por três dias seguidos...
A matriarca chega amanhã, vem daí trazer brisa-sul pra todo esse calor de cá.
Agora, percebo de verdade.
Não era a ela que falavas naquelas chamadas infinitas da noite do café, era a mim, diretamente a mim. Usava de subterfúgio para encorajar-me a dizer certas coisas ao olhar tua vulnerabilidade latente.
Poderia logo ter dito e
poupar-me do desassossego.
O branco brotou ao longo dos dias, das páginas; deixei.
Numa meditação esquiva e de soslaio rondei os céus em busca de poucos sonhos e uma esperança.
Aquela dor não morreu, tampouco enterrada foi.
Apenas se aquieta e fica, como Ana C, boazinha ( por décimos de segundo).
Certa intrepidez de teus atos me comove à letargia desta minha desgastada retórica temente.
Faltou, de ti, aquilo que bem sabes e finge ou negas a mim
e a vós.
Uma banana.
Engulo, chupo, sucção sob teus olhos apáticos de razão melancólica voz – uma banana.
Uma banana pra você e esse teu desenxabido desejo morno.

Acho que amaria ardentemente teu pescoço esguio.

2 comentários:

Odradek disse...

Onde está vc, meu quebra-cabeça de infinitas peças?

Julio Domingos disse...

Fiquei a imaginar Zilá nos campos, tão field pra tanta explosão, Cá d mios metais, tudo tão azul e prata, lata, grata, muito são. São Salvador, Bahia superlativA...