21 de set. de 2009

Depoimento

Como o tempo passa!
E algumas distâncias fazem a gente pensar que vivia em outro tempo. Outra vida.
É estranho como certas coisas despertam outras, como certos atos acordam tratos (tácitos). Adiante!
E como fatos se transmutam em fantasia (compartilhada).
Adiante!
A gente se vê, boa parte do tempo, no meio de muitos caminhos e adiamentos.
Desistir é também ir em alguma direção.
Já se andou muito na corda-bamba; agora, atuar no dia-a-dia, desfazer o medo quando ele começa a dar nó, ainda cedo, ainda pequenino. Nos olhos do medo o que doeu - mesmo - foi o descaso.
Aí, temos muitos tribunais de juízes, que por pouco ou muito, saem distribuindo suas sentenças. Condenando. Mas não sem mérito. O maior dos crimes: acreditar.
E não há sentença pra isto.
Com tanto desacordo, acorda desacreditado, desiludido, torpe, tropeço, no olho do furacão, vivendo o avesso.
E recomeço.
O novo dia traz o brilho do sol que mostra a vida nua, mesmo pra quem é pudico.
E a noite se respira profunda e intensamente: o ar do viver.
Um dia atrás, ou, dois na frente, a Sacerdotisa-terra, mãe do coração, disse, que espírito, em latim, é respirar.
É.
À respiração (aquela que ensinastes) com tanta generosidade, com tamanha leveza e acolhimento!
Mãe-terra, Filha da lua, do Ar e da Água da Cachoeira!
Nos teus olhos quentes e confiantes vê-se como são diversas as vidas e as escolhas.
Umas optam por amar.
Outras, por achar que amam.
E se refaz o julgamento.
Fora!
O que vem de fora... perto; junto: nada mais.
E se abandona a justiça.
Assim...
Absolvidos, primeiramente, de dentro.

Um comentário:

L. disse...

Adoro sua escrita.
Provocante e quente como vc.
Este texto tem uma levada musical.
Beijos de quem tá longe e perto.