15 de mai. de 2010

aquela moça

Era mais do que imenso o prazer com que se deleitava ao deparar-se com aquelas palavras sempre tão bem talhadas, sempre contando de coisas tão normalmente esquecidas.
A moça, com aquele olhar esverdeado e mais que profundo, deixava, por sua voz suave e de mesmo tom, ressoarem palavras de delicadeza e invenção. Era muito espirituosa, e sabia como ninguém interpretar novelas cotidianas. De sua intimidade, ninguém sabia, pois guardava seus segredos com um tipo de amor que se assemelha ao da perda iminente. Eram suas pérolas embrulhadas em seda e recolhidas às sete chaves, espalhadas por seus diversos baús.
E se alguém as roubasse? E se machucassem suas histórias? Desfigurassem seus sonhos?
Quem poderia lhe assegurar o contrário?Quem poderia lhe sugerir o risco?
Ela, por certo, preferiria se adequar a ter que discordar e aumentar seu tom, tão doce, de voz.
Contudo, era corajosa, não pensem o contrário.
Uma coragem que não é comparada com a valentia dos que não levam desaforo para casa, mas uma coragem de alma, latente, que lhe permitia toda aquela serenidade.
Era uma personagem, e se encontrava comigo por acaso, aos esbarros,
nos mais doces sonhos.

Um comentário:

aquela que teme o roubo das palavras disse...

Bom é estar com alguém que não rouba palavras: antes, toma com ternura as confissões, acaricia os segredos e os transforma em intensidades, belezas, coragens. Gosto de estar com vc - aí, compartilhar faz carícias.

(adorei, adorei, adorei! vc não sabe o quanto. pensei em vc esse fim-de-semana. pensei em te convidar pra trocarmos cartas...)