23 de mai. de 2010

ménage homenagem manoel

Polímnia e c.f.,


hoje o dia não foi!
De todo o escuro
e ainda: claro!

Há menos de meio
no entanto.
no meio do meio,
estamos - entramos.

que não se faça hora, o encontro.
e o verde é o jambo!

os pés no chão:
"por sorte, não é quente!"
os pés e as mãos
entoando sementes.

espero, inda hoje, a banana plantada na sala de jantar.
o broto do filho que um dia quisera.
era madura aquela aurora.
e a gente mordiscava tonto, o vento.
mania nossa de canavial.
costumava arriscar temperatura,
que por vezes acertava em cheio!

era de medo que a gente falava no claro.
posto que escuro, era mesmo certeiro.
e o gato fuçava atrás da porta:
adorava ouvir estórias das nossas.
contos-horror para espantar o tédio -
dalguns dias
chapados.

como bonito a gente chovia saber!
e os espelhos: refletores duma mexicania.
revelados, estávamos, no jardim das sombras.
e os negativos: escorrendo as janelas.

esperava que a espera fosse glória:
ranço duma certa floricultura.
ainda queria casar, aquela rapariga.
donzela em cantos, pensamentos em prantos.
encantava toda a gente num certo sonho.
sentia que sentir era coisa-pedra.
e esquentava todo o pudor com aqueles olhos:
labaredas esverdeadas de toda a sorte.

um segredo:
era ela multidão no meio.
entoávamos à moça- que se fez madurar no verde,
brotando por entre flores.
era das delícias que falávamos aos berros.

bem sabia!
sabiá sabida,
que comparecia todo dia, perto do novelo de novelas.
por cá , dobrava o arco-íris,
enviesava, displicente, a diagonal,
obliquando sagrados desejos.
Cochichávamos, então, a ela:
assim que o canto
dobrar o vento,
nos vemos no pensamento...


a gente espera no tempo...

5 comentários:

maria carol disse...

Ode à moça-tempo

Homenagem a manoel
pra quem merece homenagem.

Se chove fininho
até em tristes versinhos.

A cá, depois de ventar a dobra,
gosto de jambo vem trazer aurora.

Poder brincar,
as moças sabiam disso.

Por isso faziam ciranda.

Um dia, contaram-me,
que se a gente chama no escuro,
palavra faz tudo ficar mais claro!

Ei, moça. Estás aí?

Abç

C.f.

Polímnia disse...

e quando quem faz poesia não é gente, mas deusa-pólen-vento-mar?

apressei-me na resposta. diria que é porque é domingo. mas a verdade é que vc me convida. violentamente. seja quando for.

Polímnia disse...

queria lhe dar o nome de uma musa, mas só consigo pensá-la, hoje, como Amazona. Chamo-lhe Hipólita, se me permite: corra, crina-ao-vento!

Polímnia disse...

Saudades...

Alpa Zen disse...

"Noite chegou outra vez,
De novo na esquina
os homens estão,
Todos se acham mortais
Dividem a noite, a lua
e até solidão"