Você e suas manias de conter, você e as portas fechadas, as janelas escuras, o ar abafado.
O que você quer preservar, afinal?
quer mesmo preservar?
é mais importante o som, do que o vento, do que a chuva?
e o som da chuva e do vento?
quantos sons você desaprendeu a escutar?
e o silêncio que precisa de espaço, de amplitude?
não sei se sabemos de tantas respostas, e essas perguntas lançadas são flechas se dirigindo, se cravando em teu corpo magro, adoentado.
E você vai ao fundo, do fundo, do fundo, mas só por si mesmo.
Sabe, sinto vontades de menina, sempre sinto vontades de menina, contigo.
Aquela vontade louca, infantil e birrenta, de te beliscar por não ter me dado atenção quando precisava, aquela vontade de te bater, de te chutar - só porque não me olha nos olhos e escuta o que tenho a dizer.
E você só quer saber de aparecer, crescer que é bom, nada.
Fica triste assim, à toa, do nada - e nada diz.
Não compartilha sua dor, não quer falar, não quer dizer, nem ouvir.
Não quer...
e acho que nem quer perceber que não quer...
então, o que será que abunda entre nós?
são só aqueles pequenos nós que a querida Polímnia lembrou?
nós que nos desatam em outras coisas - em outros desatinos;
em outros destinos, vontades: grandes, pequenas, sem tamanho.
E eu, aos poucos, me convenci, me converti:
amo.
Ou talvez isso seria mais uma invenção nossa, como a gente, como nós dois, como nós três?
Tanta sensibilidade e o mundo todo parece estar prestes a rachar, o Tsunami do Japão, as placas tectônicas e suas brechas que engolem o povo todo, o mundo, o mar, a imensidão e a violência do mar, que aparece, parece assim como você e sua indiferença e sua apatia...
mas o mar não é apático, então, você está mais para areia.
e nem é nada disso, e nem é isso tudo... no fim das contas, nós e nossos mundos, nossas fantasias, monstros, fantasmas, fadas e sereias...
eu e minhas manias de aumentar, de desesperar, de escrever o que, supostamente, deveria esconder, ou remoer...
mas é assim que eu sou, cheia de intempéries, como na natureza, selvagem e frágil, ameaçadora e inofensiva.
O que importa, se algo há de ser importante, é o que fica no fundo, no nosso fundo
e
na nossa pele.
2 comentários:
paula-a-paula,
arruma a casa, troca a mobília, abre a cortina, é sempre bom vir te visitar, me sentir familiar, ouvir suas histórias deitado no sofá ou sentado na varanda, meio-mineiro-meio-bahiano!
um beijo e um queijo
Incrível o seu texto...
Adorei!
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