Um liquidificador à esquerda; do outro lado, umas borrachas de prender cabelo. Um pé de sapato do filho, um pendrive, uma caneta, manteiga de cacau, máquina fotográfica - muito amor.
Sente raiva, raiva que explode em grito, em urro, e uiva como um lobo machucado sabe chorar quando tem raiva.
Fez comida, tudo em cima do fogão, coisa boa, legumes, muitos grãos... o filho dormia, a inspiração, com ele. Tentava desenhar alguma coisa, escrever é desenhar, cada letra tem uma força, e cada caligrafia uma emoção. Sentia falta das cartas, não as que recebia, mas as que escrevia, não andava se sentindo capaz de escrever cartas, nem bulas, nem dissertações, nem quase nada, a não ser isto.
Isto aqui.
fim
4 comentários:
Quem sabe agora seja a hora de condensar doçuras, aquelas que você tão bem reparte com os amigos, os colegas, o filho.
Não sei. Não, talvez seja apenas uma provocação de Deus, assim tipo aquela que Agostinho ouviu: TOMA E LÊ ( tolle et lege). Toma e escreve seria pra nós, que mais precisamos escrever.
Pode ser também que seja a hora de começar escrevendo um poema sem forma e sem rima, apenas umas palavras dispostas em linhas diferentes como se fossem versos, para enganar a arrogância da razão.
Mas afinal, acho que a escrita já está posta na vida que tingiu esta tela com este texto tão... tão... videiro. Inventei esta palavra - videiro - pra dizer tão cheio de vida e sabor, como a uva.
Ah, sei lá, mais vale a música que é o fundo disso tudo.
Beijo.
Cara
a que horas desenha?
Também fui assaltada esta noite.
Não consigo dormir. Minha cabeça está a rodopiar enquanto a inspiração dorme no quarto. Sim, sei. Ela pode dormir, mesmo.
Havia tentado escrever para ti. Mas até isso perdi.
Não sei repetir palavras. Elas se repetem em mim. Estranho isso.
Talvez eu não devesse falar, mas sabe que quando a coisa irrompe no meio do urro, da raiva, da insônia, faz romper também fendas no chão. No coração da terra. Amor demais pode doer. Porém, não sabemos do que ele é capaz. Ele é algo que nos escapa e ultrapassa.
Algo como um ocaso.
Extraordinário.
Não quer produzir comigo chuva?
Poderíamos passar a noite a fiar pingos...
eu dizia algo assim, antes...
não sei mais. Também não me lembro.
Zilá, minha querida, escute as palavras de nosso companheiro sobre o videiro.
As vezes precisamos ouví-las quando elas mesmas se apartaram de nós, momentaneamente.
O tempo de correr também me perturba.
Mas é isto.
Apenas isto.
Fim.
Senti o cheiro da comida daqui...
Escrever é desenhar de fato, consigo ver cada imagem por você escrita, e é tudo muito bonito!
Como te encontro??????????????
Postar um comentário